Hamburger Anzeiger - Trump surpreende com anúncio de "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia

Trump surpreende com anúncio de "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia
Trump surpreende com anúncio de "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia / foto: Alex WROBLEWSKI - AFP

Trump surpreende com anúncio de "cessar-fogo energético" entre Rússia e Ucrânia

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste domingo (11) um “cessar-fogo energético” com efeito imediato entre Moscou e Kiev, mas seu homólogo ucraniano, Volodimir Zelensky, afirmou não ter sido informado sobre o acordo e denunciou que os ataques russos continuam.

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A Rússia, que iniciou a invasão em larga escala da Ucrânia em fevereiro de 2022, intensificou os ataques contra infraestruturas energéticas ucranianas nos últimos meses, enquanto Kiev mira as refinarias de petróleo russas.

"Com efeito imediato, há um CESSAR-FOGO ENERGÉTICO na guerra entre Rússia e Ucrânia. As partes concordaram. Não o quebrem!", escreveu Trump em sua plataforma Truth Social.

Zelensky, aparentemente surpreendido pelo anúncio, declarou ao site americano Axios que desconhecia qualquer acordo nesse sentido, enquanto Moscou ainda não havia se manifestado até o momento.

“O anúncio da trégua foi novidade para mim”, afirmou o presidente ucraniano, embora tenha se mostrado disposto a aceitá-la caso a Rússia faça o mesmo.

“Estamos aguardando detalhes claros sobre o diálogo entre os Estados Unidos e a Rússia. E que [o presidente russo Vladimir] Putin faça o que o presidente Trump disse”, acrescentou em seu pronunciamento diário.

Segundo Zelensky, os ataques russos continuaram neste domingo “com a mesma intensidade”, apesar do anúncio de Trump.

“Os russos bombardearam uma instalação energética em Kiev”, escreveu nas redes sociais. Ele acrescentou que também foram registrados ataques contra outras infraestruturas energéticas na região oriental de Kharkiv.

“E tudo isso aconteceu DEPOIS de o presidente dos Estados Unidos fazer seu comunicado sobre um cessar-fogo energético”, ressaltou.

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou que Paris apoia “sem reservas o apelo por uma verdadeira trégua energética”.

Mas, segundo ele, “a Rússia continua rejeitando essa possibilidade, intensificando inclusive, nas últimas horas, seus ataques contra as infraestruturas ucranianas”.

Amplos cortes de energia afetaram neste domingo diversos bairros da capital ucraniana e, na segunda-feira, haverá restrições no fornecimento de eletricidade em várias regiões do país devido aos ataques russos, anunciou a operadora nacional Ukrenergo.

Três pessoas morreram em ataques russos na região de Kharkiv, segundo o governo regional.

- "Nós, os ucranianos, decidimos nosso destino" -

Os ataques ucranianos contra as refinarias russas, que Kiev classifica como represálias justas diante dos bombardeios de Moscou, irritaram Trump, depois do anúncio, na sexta, de um acordo entre Washington e Moscou para a compra de diesel russo, acompanhado de uma flexibilização das sanções americanas contra a Rússia.

Após o aumento dos preços dos combustíveis nos Estados Unidos desde o início da guerra contra o Irã no fim de fevereiro, o acordo é visto como uma forma de aliviar os consumidores americanos antes das eleições legislativas de novembro nos Estados Unidos, nas quais o Partido Republicano de Trump corre o risco de perder o controle do Congresso.

"É melhor que ele pare", disse Trump no sábado, dirigindo-se a Zelensky. O americano chegou a "sugerir" aos ucranianos que escolham "um novo líder capaz de alcançar um acordo" de paz com Moscou.

"Antes de mais nada, com todo respeito ao presidente Trump, cabe à nossa sociedade, ao nosso povo, escolher um ou outro líder", respondeu Zelensky em uma entrevista exibida neste domingo pelo canal ABC.

O novo ataque de Trump contra o presidente ucraniano lembra o explosivo encontro entre os dois na Casa Branca em fevereiro de 2025.

Trump exigiu, como faz Moscou, eleições na Ucrânia, algo impossível na situação atual, com o país sob lei marcial.

"Nós, os ucranianos, decidimos nosso destino e nossa liberdade. Somos um povo livre e escolhemos este presidente", afirmou Olessia Gontcharuk, de 40 anos, entrevistada em uma rua de Kiev.

O petróleo que Washington comprar de Moscou "representará o sangue dos nossos homens, dos nossos filhos, das nossas mães", disse.

Zelensky afirmou em várias ocasiões que a Ucrânia poderia organizar eleições em caso de um cessar-fogo de longa duração com Moscou.

"Digam a Putin que nos conceda dois meses, 60 dias de cessar-fogo total, 60 dias, e organizaremos eleições", declarou neste domingo ao canal ABC.

A Rússia rejeitou em várias ocasiões a ideia, com o argumento de que uma longa pausa permitiria um fortalecimento do Exército ucraniano.

Ch.Brandes--HHA