Coreia do Norte lança mísseis balísticos após Trump afirmar que se reunirá com Kim
A Coreia do Norte lançou, nesta quinta-feira (20), vários mísseis balísticos de curto alcance, informou o Exército da Coreia do Sul, poucas horas após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar que se reunirá este ano com o líder Kim Jong Un.
Trump disse a jornalistas na quarta-feira, na Casa Branca, que se encontrará com Kim em uma tentativa de reativar o vínculo que, afirma, estabeleceu durante seu primeiro mandato com o líder da Coreia do Norte, um país hermético que possui armas nucleares.
Horas mais tarde, o Estado-Maior Conjunto de Seul informou à AFP que a Coreia do Norte lançou pelo menos um "projétil não identificado", sem revelar mais detalhes.
Posteriormente, um funcionário do Estado-Maior afirmou à AFP que foram lançados "quase 10 mísseis balísticos de curto alcance a partir da região de Pyongyang".
Após os lançamentos, Kim Yo Jong, a influente irmã do líder norte-coreano, afirmou que a decisão de Trump de reduzir os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul foi um castigo merecido para Seul.
"Esta súbita mudança dos acontecimentos é um desastre merecido, provocado pelas fantasias delirantes e anacrônicas e pela visão de segurança das autoridades sul-coreanas, que seguem de maneira cega o seu amo", afirmou Kim em um comunicado.
Trump afirmou na quarta-feira que era importante ter uma boa relação com Kim Jong Un e fez uma avaliação incomumente específica de que Pyongyang tem 57 armas nucleares "muito potentes".
Nesta quinta-feira, o ministro da Defesa sul-coreano elevou a estimativa para entre 80 e 120 armas nucleares.
O súbito interesse de Trump por Kim e a decisão de reduzir os exercícios militares conjuntos entre Estados Unidos e Coreia do Sul deixaram os aliados asiáticos de Washington em alerta.
Também provocaram especulações de que o republicano busca uma vitória em política externa, enquanto a guerra contra o Irã permanece estagnada.
A irmã de Kim afirmou na quarta-feira que não sabia nada sobre a suposta comunicação entre seu irmão e Trump.
Kim Yo Jong declarou, no entanto, que o líder norte-coreano ainda guarda "boas lembranças e uma boa impressão" de Trump e que a relação entre os dois continua sendo "excelente".
As Forças Armadas de Seul informaram na quarta-feira que as manobras militares com Washington terminarão na sexta-feira, e não em 27 de agosto como estava previsto, por "sugestão da parte americana".
O.Rodriguez--HHA