Rebeldes houthis matam mais de 60 soldados das forças governamentais no Iêmen
Mais de 60 integrantes das forças governamentais do Iêmen morreram em pouco mais de 24 horas em ataques com drones e mísseis realizados por rebeldes houthis, no episódio mais letal desde a trégua firmada entre os dois lados em 2022.
As Forças Armadas responderão a essa "agressão no momento e no local apropriados", prometeu o Ministério da Defesa do governo iemenita, reconhecido pela comunidade internacional.
Os houthis, apoiados pelo Irã, afirmaram ter agido em resposta ao reforço recente, segundo eles, das tropas iemenitas apoiadas pela Arábia Saudita. Uma fonte militar informou à AFP que houve 58 mortos e "dezenas de feridos", após um balanço inicial divulgado por fontes médicas apontar 38 mortos e 29 feridos.
Outros três membros das forças governamentais morreram nesta sexta-feira (7), no centro do Iêmen, em um ataque de drone lançado por houthis, segundo um balanço preliminar igualmente comunicado por uma fonte militar.
Segundo uma autoridade militar, um acampamento das Forças Armadas na região de Al-Ruwaik, na província de Marib, centro do Iêmen, foi atingido, assim como bases nas áreas de Al-Abr e Al-Wadiah, em Hadramaut, próximo à fronteira com a Arábia Saudita.
Esses foram os ataques mais letais desde o cessar-fogo de 2022, que encerrou mais de sete anos de uma guerra devastadora no país mais pobre da Península Arábica.
Os houthis estão em guerra com o governo desde 2014, em um conflito que causou centenas de milhares de mortes e provocou uma grave crise humanitária no Iêmen.
Os rebeldes controlam Saná, e grande parte do norte do país, enquanto o governo reconhecido internacionalmente domina grande parte do sul. Os houthis reivindicaram os últimos ataques.
"Nossas forças armadas realizaram uma operação de grande escala contra concentrações de tropas inimigas", disse um porta-voz do grupo, Yahya Saree, ao denunciar um "grande reforço militar saudita". Ele também advertiu que os rebeldes permanecem "prontos em caso de escalada".
Os rebeldes iemenitas também atacaram infraestruturas na Arábia Saudita, que respondeu contra suas posições.
Ainda na quinta-feira, novos ataques na fronteira entre a Arábia Saudita e o Iêmen deixaram 11 civis feridos, informou a coalizão liderada por Riade.
Entre os feridos estão sete sauditas, incluindo uma criança de quatro anos, além de dois egípcios, um iemenita e um paquistanês, detalhou o porta-voz da coalizão, o general Turki al-Malki, em comunicado divulgado pela agência oficial.
- Ataques contra petroleiros -
Mergulhado em um conflito há mais de uma década, o Iêmen tornou-se no mês passado a mais recente frente da disputa entre Estados Unidos e Irã, após os houthis romperem a trégua de 2022 com o governo iemenita.
Os rebeldes afirmaram ontem ter atacado dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho e no Golfo de Áden, no contexto do bloqueio que anunciaram em julho contra a frota saudita. A medida ameaça a capacidade da Arábia Saudita, maior exportador mundial de petróleo, de transportar sua produção para os mercados internacionais, após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã.
As hostilidades ocorrem após a recente tentativa de aterrissagem em Saná de um avião iraniano procedente de Teerã, que desafiou a hegemonia saudita sobre o espaço aéreo iemenita.
Ch.Tremblay--HHA