Hamburger Anzeiger - Queda de braço entre Fifa e Uefa ganha novo capítulo

Queda de braço entre Fifa e Uefa ganha novo capítulo
Queda de braço entre Fifa e Uefa ganha novo capítulo / foto: Pau Barrena - AFP/Arquivos

Queda de braço entre Fifa e Uefa ganha novo capítulo

Em um novo capítulo de sua "queda de braço" com a Uefa, a Fifa acusou a confederação europeia nesta terça-feira (29) de orquestrar uma "campanha de desinformação" contra seu presidente, Gianni Infantino, enquanto o chefe da entidade continental, Aleksander Ceferin, lembrou que "o futebol não precisa de imperadores".

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Em uma carta de 26 páginas enviada a um tribunal da Flórida, a Fifa pediu à Justiça dos Estados Unidos que rejeite a solicitação da Uefa de ter acesso a documentos relacionados ao projeto de Infantino, já abandonado, de vender participações da Copa do Mundo a investidores privados.

Para a Fifa, essa demanda da Uefa tem como objetivo "influenciar" o processo das eleições à presidência da entidade máxima do futebol, previstas para 18 de março de 2027.

Por enquanto, Infantino é o único candidato confirmado, embora sua liderança seja fortemente questionada pelas federações europeias.

"A Uefa atua com o objetivo de perseguir, e não por uma necessidade legítima de obter medidas de instrução", acusa a Fifa, que critica o órgão europeu por agir "de má-fé".

No final de agosto, a Uefa abriu caminho para apresentar uma denúncia por "gestão desleal" contra Infantino.

- Contexto eleitoral -

Para isso, a confederação recorreu à Justiça da Flórida para obrigar as filiais norte-americanas da Fifa a lhe entregarem documentos relacionados a esse projeto, que acabou sendo abandonado diante das críticas.

A iniciativa de Infantino previa alocar as receitas da Copa do Mundo em uma empresa (Fiffa Forward Enterprise, ou FFE) aberta a investidores privados.

Infantino abriu, então, caminho para conversas sobre uma melhor redistribuição dos recursos da entidade, mas sem "prejulgar o montante", em uma carta enviada aos presidentes das seis confederações, à qual a AFP teve acesso na segunda-feira (28).

No documento apresentado aos tribunais, a Fifa denuncia que a Uefa faz "inúmeras declarações falsas ou enganosas", incluindo a alegação de que Infantino "tentou se beneficiar pessoalmente da proposta da FFE".

Horas depois, Ceferin voltou a atacar Infantino pelo seu projeto fracassado.

"O futebol não precisa de imperadores", disse o dirigente esloveno em em referência ao presidente da Fifa, embora sem mencioná-lo diretamente, durante a assembleia geral da Associação Europeia de Clubes (EFC), em Copenhague.

"Nunca nos esqueçamos de que o futebol é maior do que aqueles que o dirigem. Somos seus guardiões, não seus proprietários. Ninguém tem o direito de vender seu futuro", declarou Ceferin, um dos grandes opositores de Infantino.

A Uefa apresentou um pedido na Flórida para obter permissão para coletar provas visando a uma possível denúncia criminal na Suíça, onde tanto a entidade europeia quanto a Fifa estão sediadas.

A confederação afirmou no mês passado que, juntamente com "outras partes interessadas", estava "preparando a apresentação de denúncias criminais na Suíça contra Infantino e, possivelmente, outros dirigentes e assessores da Fifa por gestão delitiva".

Este pedido da Fifa ao tribunal da Flórida é o episódio mais recente da crise que a coloca em conflito com a Uefa e outras confederações, como a Concacaf (América do Norte, América Central e Caribe) e a AFC (Ásia), que exigem uma reforma na governança da entidade.

A Uefa, à qual estão vinculadas potências do futebol mundial como Espanha, França, Inglaterra, Itália e Alemanha, lidera a oposição a Infantino, pedindo abertamente sua destituição.

A Fifa confirmou neste mês que o dirigente ítalo-suíço voltará a se candidatar à presidência nas eleições de março.

- US$ 6 bilhões em reservas -

No início deste mês, a Uefa exigiu à Fifa que disponibilizasse US$ 10 milhões (R$ 52 milhões na cotação atual) a cada uma de suas associações-membro, num total de US$ 2,1 bilhões (R$ 10,9 bilhões), "para investimentos em infraestrutura e desenvolvimento do futebol".

Em carta enviada às confederações, Infantino afirma que apoiaria "o maior nível de financiamento adicional que pode ser disponibilizado de forma responsável".

O presidente da Fifa reiterou que o projeto abandonado de vender os direitos comerciais da Copa do Mundo tinha como objetivo gerar receita adicional para o futebol.

"A recente proposta comercial, agora retirada, tinha como objetivo permitir à Fifa investir mais no futebol", escreveu Infantino.

Estima-se que a Fifa disponha de US$ 6 bilhões (R$ 31,2 bilhões) em reservas não utilizadas, e a Uefa argumenta que Infantino não precisava tentar captar mais receitas, dado o dinheiro que a organização já acumula.

Infantino não está sozinho: a Arábia Saudita, sede da Copa do Mundo de 2034, expressou apoio ao dirigente no mês passado, e as confederações da África (CAF) e da América do Sul (Conmebol) também o apoiam.

A.Swartekop--HHA