Hamburger Anzeiger - Pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver doença cerebral, aponta estudo

Pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver doença cerebral, aponta estudo
Pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver doença cerebral, aponta estudo / foto: RONALD MARTINEZ - GETTY IMAGES NORTH AMERICA/AFP

Pelo menos um quarto dos jogadores da NFL pode desenvolver doença cerebral, aponta estudo

Pelo menos um quarto dos jogadores da liga de futebol americano (NFL) pode acabar desenvolvendo uma doença cerebral degenerativa, segundo um novo estudo publicado nesta terça-feira (25) que expõe os riscos do esporte favorito dos Estados Unidos.

Tamanho do texto:

A encefalopatia traumática crônica (ETC) é causada por golpes repetidos na cabeça e seus sintomas incluem comprometimento cognitivo, dificuldade para caminhar, instabilidade emocional e pensamentos suicidas.

A ETC já foi associada a esportes de contato, como futebol americano e boxe, e também foi detectada em militares expostos a explosões.

No entanto, por se tratar de uma doença que só pode ser confirmada por meio de um exame cerebral post-mortem, sua verdadeira extensão entre os jogadores da NFL continua sendo incerta.

De acordo com este novo estudo, liderado por Daniel Daneshvar, professor da Escola de Medicina de Harvard, e publicado no British Medical Journal, pesquisadores analisaram os cérebros de jogadores falecidos que haviam disputado pelo menos um jogo da NFL durante a era do capacete de plástico obrigatório, que começou em 1949.

A principal descoberta procede de pessoas que faleceram entre 2016 e 2021, quando as doações de cérebros foram mais frequentes. Das 878 mortes ocorridas nesse período, 235 indivíduos doaram seus cérebros para serem examinados, e a ETC foi confirmada em 215 deles.

Isso significa que, no mínimo, a taxa de ETC foi de 24,5%, supondo que nenhum dos cérebros não analisados apresentasse a doença. A estimativa máxima foi de 97,7%, e o valor real provavelmente situa-se em algum ponto entre esses dois extremos.

- Demência -

Os pesquisadores também avaliaram a gravidade da doença e encontraram uma associação entre a ETC de alto grau e a demência, sendo esta última determinada com base nos prontuários médicos dos jogadores e em entrevistas com seus familiares.

"Em conjunto, essas descobertas indicam que os jogadores da NFL apresentam uma maior prevalência de ETC no momento da morte do que a demonstrada anteriormente em diversos estudos comunitários", escreveram os autores.

"Esses dados indicam que a gravidade da ETC no momento da morte está significativamente associada à demência em jogadores da NFL que doaram seus cérebros, e que a demência é comum entre esses doadores", acrescentaram.

No entanto, os pesquisadores também reconhecem várias limitações, entre elas o fato de que nem todos os ex-jogadores da NFL que faleceram durante o período do estudo foram incluídos, e de que alguns familiares podem ter relatado sintomas de forma imprecisa ou exagerada.

Em um editorial sobre o assunto, os professores Tobias Kurth, do Centro Médico Universitário de Berlim, e Richard Riley, do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e Cuidados do Reino Unido, elogiaram o desenho do estudo.

Nenhum estudo isolado consegue definir plenamente a taxa de ETC entre jogadores da NFL, mas "Daneshvar e seus colegas apresentam uma das estimativas mais informativas até o momento", observaram Kurth e Riley.

Acima de tudo, continuam os professores, é essencial comunicar periodicamente as evidências científicas aos jogadores da NFL do passado, do presente e do futuro.

E.Borstelmann--HHA