Hamburger Anzeiger - Volta às aulas marcada pelo medo em região devastada por terremotos na Venezuela

Volta às aulas marcada pelo medo em região devastada por terremotos na Venezuela
Volta às aulas marcada pelo medo em região devastada por terremotos na Venezuela / foto: Federico PARRA - AFP

Volta às aulas marcada pelo medo em região devastada por terremotos na Venezuela

Escolas vazias em meio ao temor de novos terremotos marcam a retomada das aulas no estado costeiro de La Guaira, um popular balneário a 40 km de Caracas devastado pelos terremotos que deixaram mais de 6.500 mortos na Venezuela.

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Dezenas de escolas foram danificadas após dois terremotos que provocaram o desabamento de centenas de edifícios.

Além disso, cerca de 60 escolas foram transformadas em abrigos para atender os milhares de desabrigados pelos terremotos de magnitude 7,2 e 7,5 registrados em 24 de junho.

Apesar da tragédia, a vida precisa continuar, considera Amni Núñez, um engenheiro industrial de 40 anos que decidiu levar seus dois filhos pequenos de volta às aulas.

"Eles precisam dessa forma de dizer que o mundo continua e que o que temos que fazer é aprender a viver com o novo que o terremoto nos deixou", afirmou.

Uma das poucas escolas abertas em La Guaira é a Unidade Educacional Diocesana João Paulo II, com capacidade para 800 estudantes. Até esta terça-feira, pouco mais de 300 haviam se matriculado, informou o diretor, Marco Antonio Espinoza.

"A retomada das aulas será feita de maneira progressiva e segura, levando em consideração sobretudo o aspecto socioemocional, não apenas dos nossos estudantes, mas também do nosso pessoal", afirmou.

"É normal sentirmos medo, ainda mais com as mais de 2.000 réplicas que já tivemos", disse. No entanto, "apesar desse temor, apesar das réplicas, vejo pessoas dispostas a viver, dispostas a cumprir suas atividades", acrescentou.

Para Yanet Domínguez, professora nessa escola, onde apenas sete crianças assistiam às aulas nesta terça-feira, é normal que as pessoas tenham medo de mandar seus filhos à escola.

Domínguez, de 60 anos, é questionada se a escola é segura após os terremotos, que também provocaram danos estruturais em 80 colégios e afetaram outros 900 em todo o país, segundo números oficiais.

"Me perguntaram se a instituição permaneceu sólida. Eu disse que sim, que inclusive foram feitas melhorias na instituição e que não tenham medo de mandar seus filhos", afirmou a professora do quinto ano do ensino fundamental.

A presidente interina, Delcy Rodríguez, afirmou na véspera que mais de 6 milhões de estudantes voltaram às aulas no país.

J.Burmester--HHA