Hamburger Anzeiger - Suposto surto de hantavírus deixa quase 150 pessoas presas em cruzeiro em Cabo Verde

Suposto surto de hantavírus deixa quase 150 pessoas presas em cruzeiro em Cabo Verde
Suposto surto de hantavírus deixa quase 150 pessoas presas em cruzeiro em Cabo Verde / foto: - - AFP

Suposto surto de hantavírus deixa quase 150 pessoas presas em cruzeiro em Cabo Verde

Passageiros e tripulantes de um cruzeiro que partiu da Argentina permaneciam isolados no navio, nesta segunda-feira (4), em frente à costa de Cabo Verde, depois que foram proibidos de atracar por causa da morte de três pessoas a bordo por um suposto surto de hantavírus.

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Os hantavírus, transmitidos aos humanos principalmente por roedores infectados, podem causar problemas respiratórios e cardíacos, além de febres hemorrágicas.

O navio, que fazia a rota entre Ushuaia, na Argentina, e Cabo Verde, encontra-se atualmente na costa de Praia, capital deste arquipélago da África ocidental, confirmou um fotógrafo da AFP.

Há 149 pessoas de 23 nacionalidades a bordo do MV Hondius, que enfrenta uma "situação médica grave", segundo a operadora turística Oceanwide Expeditions.

Nesta segunda, Jake Rosmarin, um passageiro que relatava sua viagem nas redes sociais, pediu no Instagram, visivelmente alterado, que o deixem voltar para casa.

"Há muita incerteza e essa é a parte mais difícil. Tudo o que queremos agora é nos sentir seguros, ter respostas claras e voltar para nossas casas", disse.

O operador do cruzeiro explicou que "a bordo estão sendo adotadas medidas estritas de precaução, incluídas medidas de isolamento, protocolos de higiene e vigilância médica".

A empresa naval cogita levar os passageiros para as ilhas de Las Palmas e Tenerife, nas Canárias, depois que Cabo Verde negou autorização para levá-los ao país.

"Não foi concedido ao navio a autorização para atracar no porto de Praia", a fim de "proteger a população cabo-verdiana", disse, na noite de domingo, a presidente do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Maria da Luz Lima, em declarações à emissora Rádio de Cabo Verde.

Em um comunicado, a direção nacional de saúde de Cabo Verde anunciou ter pedido ao Reino Unido e aos Países Baixos que enviem ambulâncias aéreas "o quanto antes" para poder "evacuar pacientes".

- Tripulantes com sintomas -

A Oceanwide Expeditions confirmou três mortes, duas delas a bordo do navio e uma após o desembarque.

A primeira morte ocorreu em 11 de abril na embarcação. O corpo do homem foi levado para a ilha de Santa Helena em 24 de abril, acompanhado por sua esposa, que morreu posteriormente. Os dois eram holandeses.

Em 27 de abril, um passageiro britânico ficou doente e foi evacuado para a África do Sul, onde testou positivo para o hantavírus, afirmou a operadora do cruzeiro.

Um alemão morreu a bordo do navio em 2 de maio, sem que a causa tenha sido definida, acrescentou a Oceanwide Expeditions.

"Dois membros da tripulação apresentam atualmente sintomas respiratórios agudos" e "precisam de atenção médica urgente", segundo o comunicado da empresa.

"As autoridades holandesas aceitaram coordenar uma autorização conjunta para organizar a repatriação de duas pessoas com sintomas", informou a empresa, detalhando que essa operação dependeria da permissão das autoridades de Cabo Verde.

A chancelaria dos Países Baixos confirmou à AFP que está "estudando" essa possibilidade.

Vários médicos embarcaram no navio para avaliar seu estado de saúde, mas não foi concedida autorização para levá-los à terra firme.

- "Não há motivo para pânico" -

"O risco para a população em geral permanece baixo. Não há motivo para pânico ou para impor restrições de viagem", observou.

O diretor enfatizou que as infecções por hantavírus são raras e "não são facilmente transmitidas entre pessoas".

Os hantavírus são transmitidos aos humanos por meio de roedores selvagens infectados, como ratos ou camundongos, que eliminam o vírus pela saliva, urina e fezes. Uma mordida, o contato com esses animais ou seus excrementos, assim como a inalação de poeira contaminada, podem causar a infecção.

A OMS colabora com os países afetados no atendimento médico, evacuação e investigações, informou Kluge.

Sem vacinas ou medicamentos específicos disponíveis contra o hantavírus, os tratamentos atuais se limitam ao alívio dos sintomas.

A letalidade varia segundo os tipos de hantavírus e pode chegar a 15% dos casos, estima a agência federal de saúde pública da Suíça.

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T.Schmidt--HHA