Hamburger Anzeiger - Irã declara Estreito de Ormuz 'totalmente aberto' com início da trégua no Líbano

Irã declara Estreito de Ormuz 'totalmente aberto' com início da trégua no Líbano
Irã declara Estreito de Ormuz 'totalmente aberto' com início da trégua no Líbano / foto: Ibrahim Amro - AFP

Irã declara Estreito de Ormuz 'totalmente aberto' com início da trégua no Líbano

O Irã declarou nesta sexta-feira (17) o Estreito de Ormuz "totalmente aberto", no momento em que começou uma trégua no Líbano entre Israel e Hezbollah, dois acontecimentos que alimentaram a esperança de destravar as negociações de paz entre Teerã e Washington.

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O conflito no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro, com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, que respondeu com lançamentos de mísseis e projéteis pelo Golfo e com o fechamento desse estreito crucial para o transporte de hidrocarbonetos.

Após a trégua no Líbano, onde Israel combatia o movimento pró-Irã Hezbollah, o chanceler de Teerã, Abbas Araghchi, anunciou a reabertura da passagem, o que provocou uma forte queda dos preços do petróleo.

"Alinhado ao cessar-fogo no Líbano, a passagem de todos os navios comerciais pelo Estreito de Ormuz foi declarada totalmente aberta para o período restante do cessar-fogo", disse Araghchi na rede social X.

A passagem de navios militares continua proibida, ponderou, por sua vez, um militar iraniano de alta patente, citado pela televisão estatal.

O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel, e ficou inicialmente excluído do cessar das hostilidades entre Irã e Estados Unidos.

Após o início da trégua de 10 dias, famílias arrumaram seus pertences nesta sexta-feira e pegaram a estrada para voltar para casa, no sul de Beirute ou no sul do país.

"Temos ficado na rua, indo de um lugar a outro, porque não havia espaço nos abrigos", afirmou à AFP Insaf Ezzedine, morador do sul de Beirute, de 42 anos.

"Esperamos que a guerra termine e que possamos voltar para nossas casas e viver em paz", acrescentou.

- Processo "muito rápido"? -

O anúncio de Teerã sobre Ormuz fez despencar os preços do petróleo, que já haviam começado a cair diante da expectativa de uma possível saída negociada para o conflito.

O presidente americano, Donald Trump, comemorou imediatamente o anúncio. "OBRIGADO!", publicou em sua plataforma Truth Social, onde disse que o Irã está retirando minas do estreito com ajuda dos Estados Unidos.

Ainda assim, advertiu que o bloqueio de Washington aos portos iranianos, imposto desde segunda-feira para pressionar o Irã, continuará.

"O bloqueio naval será mantido em pleno vigor e efeito no que diz respeito ao Irã - e apenas ao Irã - até o momento em que nossa transação com o Irã estiver 100% concluída", disse Trump, referindo-se aos esforços diplomáticos em curso para alcançar um acordo de paz.

O cessar-fogo e a reabertura do Estreito de Ormuz representam dois passos fundamentais para Washington em direção a um acordo de paz com o Irã, que insistia em que o fim dos combates no Líbano fizesse parte de qualquer pacto.

O Paquistão liderou os esforços diplomáticos para que Teerã e Washington voltem a conversar, após uma primeira rodada encerrada sem resultados.

"O processo deverá ir muito rápido, já que a maioria dos temas já foi negociada", disse Trump, que afirmou que o acordo estava muito próximo.

- Israel suspende restrições de guerra -

Sinal de mudança, o Exército israelense afirmou que suspenderia as restrições impostas pela guerra.

Mesmo assim, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu indicou que a ofensiva contra o Hezbollah não terminou. "Ainda há coisas que planejamos fazer em relação às ameaças [representadas] pelos foguetes e drones" do movimento libanês, disse Netanyahu em uma mensagem gravada.

No entanto, Trump rejeitou essa ideia e assegurou que os Estados Unidos trabalhariam com o Líbano para "lidar com" o Hezbollah. "Israel já não bombardeará o Líbano. Os Estados Unidos o PROIBIRAM de fazer isso. JÁ BASTA!", afirmou o republicano em outra publicação na Truth Social.

Minutos antes de o cessar-fogo entrar em vigor, na quinta-feira à meia-noite, Israel bombardeou a cidade de Tiro, no sul do Líbano, matou 13 pessoas e destruiu seis blocos residenciais, segundo um funcionário municipal.

A agência nacional de notícias libanesa informou nesta sexta-feira que uma pessoa morreu em um ataque no sul do Líbano apesar da trégua.

Segundo os termos do cessar-fogo, Israel se reserva o direito de continuar tendo o Hezbollah como alvo para evitar "ataques planejados, iminentes ou em andamento" e manterá uma zona de segurança de 10 km na fronteira entre os dois países.

O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, advertiu, no entanto, que os combates ao norte dessa área poderão ser retomados, por isso os habitantes que voltarem para lá poderão ser chamados a se deslocar novamente.

Apesar desses avisos, dezenas de milhares de deslocados libaneses decidiram voltar para casa.

Por sua vez, o Hezbollah advertiu que está com o "dedo no gatilho" caso Israel viole a trégua.

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O.Zimmermann--HHA