Hamburger Anzeiger - Suprema Corte dos EUA invalida lei no Colorado que proibia 'terapias de conversão'

Suprema Corte dos EUA invalida lei no Colorado que proibia 'terapias de conversão'
Suprema Corte dos EUA invalida lei no Colorado que proibia 'terapias de conversão' / foto: Alex WROBLEWSKI - AFP/Arquivos

Suprema Corte dos EUA invalida lei no Colorado que proibia 'terapias de conversão'

A Suprema Corte americana decidiu, nesta terça-feira (31), que uma lei do estado do Colorado que proíbe as "terapias de conversão" para menores LGBTQIA+ viola a liberdade de expressão.

Tamanho do texto:

Estas terapias pretendem modificar a orientação sexual ou a identidade de gênero das pessoas LGBTQIA+ para "reconvertê-las" em heterossexuais, comparando em particular a homossexualidade a uma doença ou a um transtorno mental.

Por maioria de 8 a 1, a corte deu razão a uma conselheira psicológica cristã que impugnava esta lei do estado governado pelos democratas, por considerar que a impedia de expressar seus pontos de vista.

O Colorado (oeste) proíbe desde 2019 essas "terapias de conversão" para menores, assim como fazem cerca de 20 estados nos EUA.

Mas a lei também restringe o direito de expressar opiniões contrárias, e é este o aspecto que os magistrados invalidaram.

Dos nove juízes do tribunal, os seis conservadores e dois dos três progressistas deram razão à demandante, Kaley Chiles, que contestava esta lei na justiça, invocando sua fé cristã.

A demandante considerava que a lei violava a Primeira Emenda da Constituição americana, que garante a liberdade de expressão.

"A lei do Colorado que proíbe as terapias de conversão não só proíbe as intervenções físicas. Em casos como este, censura o discurso da opinião" da pessoa, neste caso, a senhora Chiles, escreveu o juiz conservador Neil Gorsuch na sentença, em nome da maioria do tribunal.

"Da forma como foi aplicada à Sra. Chiles, a lei do Colorado regulou seu discurso e foi ainda mais longe ao prescrever quais posições ela podia ou não expressar, discriminando com base no ponto de vista", argumentou.

"Mas a Primeira Emenda constitui um escudo contra qualquer tentativa de impor uma ortodoxia de pensamento ou de palavra neste país. Expressa, ao contrário, a convicção de que todo americano possui um direito inalienável de pensar e falar livremente", concluiu o juiz Gorsuch.

Em consequência, o tribunal devolve o caso às instâncias inferiores para que revisem suas decisões desfavoráveis a Kaley Chiles à luz desta sentença.

- "Caixa de Pandora" -

Apenas a juíza progressista Ketanji Brown Jackson expressou sua discordância, censurando seus colegas por "abrirem uma caixa de Pandora" ao reduzir a capacidade dos estados de regulamentar práticas médicas que "representam risco de danos graves à saúde e ao bem-estar dos americanos".

O advogado de Kaley Chiles, James Campbell, da conservadora Alliance Defending Freedom (ADF), celebrou em um comunicado "uma vitória significativa para a liberdade de expressão, o senso comum e as famílias que buscam desesperadamente ajuda para seus filhos".

Ao retornar ao poder em 2025, Donald Trump anunciou que as autoridades só reconheceriam "dois sexos" definidos ao nascer, masculino e feminino, antes de assinar um decreto que pôs fim ao auxílio público para os tratamentos de transição de menores.

Em junho, a Corte havia permitido que o estado do Tennessee proibisse menores transgêneros de acessar tratamentos de transição.

As "terapias de conversão" estão proibidas, pelo menos parcialmente, em vários países, com o apoio de organizações de saúde como a Associação Americana de Psicologia ou o Real Colégio de Psiquiatras do Reino Unido.

A ONU pediu sua proibição mundial, qualificando-as como discriminatórias, humilhantes e como uma violação da integridade física das pessoas.

O.Meyer--HHA