Hamburger Anzeiger - Milhares de fotos de mulheres são divulgadas sem consentimento no Telegram, diz ONG

Milhares de fotos de mulheres são divulgadas sem consentimento no Telegram, diz ONG
Milhares de fotos de mulheres são divulgadas sem consentimento no Telegram, diz ONG / foto: Anthony WALLACE - AFP/Arquivos

Milhares de fotos de mulheres são divulgadas sem consentimento no Telegram, diz ONG

Dezenas de milhares de imagens e vídeos de mulheres, às vezes nuas, compartilhados sem consentimento, circularam em grupos e canais do Telegram na Itália e na Espanha, revelou nesta quarta-feira (8) a ONG AI Forensics, que denuncia a responsabilidade da plataforma.

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A organização afirma, em um estudo, ter identificado cerca de 25.000 usuários ativos em grupos e canais dedicados a compartilhar fotos e vídeos de mulheres nuas, muitas vezes em troca de dinheiro.

No total, circularam mais de 80.000 arquivos de fotos, vídeos e áudios, alguns gerados com inteligência artificial, nos 16 canais do Telegram analisados durante seis semanas. Esses conteúdos eram "principalmente de caráter sexualmente explícito", informou a AI Forensics à AFP. Alguns incluíam imagens de adolescentes.

Os autores do estudo também detectaram nesses grupos outras práticas, como o "doxeo" - publicação de dados pessoais - ou campanhas coordenadas de assédio. Alguns membros publicaram mensagens de incitação a estupros ou mencionaram imagens de pornografia infantil.

Grande parte dos arquivos em circulação vinha de outras plataformas, como TikTok, Instagram ou Snapchat.

"O Telegram é frequentemente utilizado como uma plataforma central de redistribuição, onde o conteúdo extraído, vazado ou capturado em outras plataformas é agregado, arquivado e colocado novamente em circulação", afirmam os autores.

A ONG alerta para o papel da plataforma na persistência desses grupos.

"Durante o período de observação, vários grupos foram fechados pelo Telegram para reabrir poucas horas depois com os mesmos nomes, o que sugere que os mecanismos de moderação do Telegram são insuficientes", indica o relatório.

"O Telegram combina sólidas funcionalidades de confidencialidade - como a mensagem criptografada de ponta a ponta e contas pseudônimas - com capacidades de difusão em larga escala", insistem os autores, que consideram que isso favorece comportamentos abusivos.

A ONG recomenda incluir o Telegram na lista de "plataformas online de muito grande porte" prevista pela Lei de Serviços Digitais europeia, o que reforçaria o controle.

Em resposta, o Telegram afirmou à AFP que "seus sistemas de moderação são mais eficazes para prevenir a difusão massiva de conteúdos prejudiciais do que os das plataformas online de muito grande porte".

A empresa afirma também que proíbe "compartilhar conteúdo íntimo não consentido, incluindo deepfakes pornográficos", e acrescenta que "a moderação da pornografia deepfake é complexa em todas as plataformas".

O fundador do Telegram, Pavel Durov, foi indiciado em 2024 pela Justiça francesa por não agir contra a difusão de conteúdos criminosos, como imagens de abusos sexuais de menores.

H.Beehncken--HHA